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sábado, 16 de março de 2013


Estudos Avançados

Print version ISSN 0103-4014

Estud. av. vol.12 no.33 São Paulo May/Aug. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141998000200008 

TEORIA DA DEPENDÊNCIA

De dependência em dependência: consentida, tolerada e desejada


Paul Singer


SITUAÇÕES DE DEPENDÊNCIA sempre haverá enquanto nações desiguais em desenvolvimento, tamanho, força etc. se mantiverem em estreito relacionamento mútuo. Mas estas situações diferem entre si e é isso o que importa. Fernando Henrique Cardoso (El proceso de desarrollo en América Latina: hipótesis para una interpretación sociológica, Santiago, Ilpes, nov.1965), num texto preliminar ao seu hoje famoso livro com Enzo Faletto, introduz o conceito de dependência nos termos: "A vinculação subordinada das economias subdesenvolvidas ao mercado mundial se manifesta no plano mais dinâmico do processo de desenvolvimento por uma série de características básicas no modo de atuação e na orientação dos grupos que aparecem no sistema econômico como produtores ou como consumidores. Esta situação de dependência supõe em suas situações extremas que as decisões que afetam a produção ou o consumo duma economia dada se tomam em função da dinâmica das economias desenvolvidas com as quais a economia subdesenvolvida mantém relações de dependência. As economias baseadas em enclaves coloniais constituem um exemplo extremo dessa situação" [sublinhado no original P.S.].
Como se vê, trata-se de dependência econômica de países independentes politicamente mas subdesenvolvidos, como os da América Latina, que, para se desenvolver, condicionam suas decisões "à dinâmica das economias desenvolvidas" de que dependem. A principal contribuição de Cardoso e Faletto para o melhor entendimento da questão foi apontar para situações distintas de dependência, mostrando que em cada uma se verifica uma correlação específica de força entre as classes sociais, tanto nos países desenvolvidos quanto nos subdesenvolvidos.
A dependência surge dum complexo jogo de conflitos e acordos entre classes e frações de classe, do qual resultam processos de desenvolvimento que recolocam, de tempos em tempos, os seus próprios fundamentos. Transformações do capitalismo, que em geral se originam no centro, ensejam o surgimento de novas situações de dependência, à medida que elas são incorporadas pela periferia.

Da dependência tolerada à desejada
A dependência tolerada começou a entrar em crise no Primeiro Mundo quando o capital privado recuperou a liberdade de que tinha sido privado pela revolução keynesiana. Esta, transformada em doutrina do poder, havia produzido os resultados esperados. Durante quase 30 anos (de 1945 a 73), as economias capitalistas se mantiveram próximas do pleno emprego, tiveram crescimento econômico mais rápido do que em qualquer outra época da história do capitalismo industrial e resgataram da pobreza a maior parte de suas classes trabalhadoras. Não por acaso, este período é chamado de os anos dourados.
Mas, nos três decênios, o capital e sobretudo o grande capital também se recuperou. Nos EUA, a potência hegemônica, o que prevaleceu foi a síntese neo-clássica, uma versão que simplifica o quadro teórico deixado por lord Keynes e modera suas aplicações políticas. Praticamente, em todo pós-guerra, os EUA usaram sua considerável influência sobre o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para restabelecer a primazia do mercado na alocação dos recursos dentro das economias nacionais e para estabelecer a plena conversibilidade das moedas. A gradual liberalização financeira resultou em perda contínua da capacidade dos governos de controlar o excedente econômico, sua apropriação e seu investimento ou aplicação.
A liberalização financeira, a partir dos 80, extravasou do Primeiro Mundo ao Terceiro. Foi importante, neste sentido, a crise do endividamento externo que atingiu grande número de países menos desenvolvidos, em particular na América Latina. Na década anterior, os grandes bancos privados multinacionais tinham aproveitado os vários choques do petróleo para captar, sobretudo no euro-mercado, muitos bilhões de dólares pertencentes aos países exportadores de petróleo, reciclando-os em seguida aos principais países em industrialização. A dependência financeira dos países menos desenvolvidos, até então dos bancos intergovernamentais, como o Banco Mundial, o Banco Interamericano, entre outros, passou a ser da banca multinacional privada.
Em 1982, o México sofreu uma severa fuga de capitais e deixou de servir sua dívida externa, o que colocava em perigo a existência dos bancos credores. Estes, por via das dúvidas, resolveram suspender empréstimos destinados aos demais países latino-americanos, o que tornou a maior parte deles inadimplente também. Mas, em vez do débacle bancário, que deveria seguir-se, o governo dos EUA juntamente com o Fundo Monetário Internacional e outras entidades intergovernamentais providenciaram empréstimos-ponte e, desse modo, evitaram que a crise financeira assumisse as dimensões catastróficas que atingira na década de 30.
A partir daí a tutela financeira e ipso facto política dos países semi-industrializados superendividados pelos EUA tornou-se muito mais pesada. Os países, que teimavam em manter o estatismo desenvolvimentista, foram boicotados pelo grande capital privado e público. Na Grã-Bretanha o governo Tatcher e nos EUA o governo Reagan comandavam a grande contra-ofensiva neoliberal, que foi largamente vitoriosa, inclusive na América Latina.
O primeiro Estado a abandonar toda pretensão a comandar a acumulação de capital em seu país foi o Chile, governado ditatorialmente nos anos 70 e 80 pelo general Pinochet. Em seguida, na América Latina, outros países enveredaram pelo mesmo caminho. No início dos 80, o México aboliu os controles cambiais e financeiros e abriu seu mercado interno às importações, recebendo em troca abundantes fluxos de capitais estrangeiros. Sua entrada posterior no Nafta apenas ratificou, em grande medida, uma situação que já há anos prevalecia de fato. Com a eleição de Menem, de Fujimori e de Collor, no fim da década de 80, chegou a vez da Argentina, do Peru e do Brasil. Nesses países, o desenvolvimentismo foi abandonado, o mercado interno aberto às importações de mercadorias e a economia à entrada incondicional dos capitais estrangeiros.
Do ponto de vista da situação de dependência, esta deixou de ser tolerada para se tornar desejada. Os governos de todos os países – desenvolvidos, semidesenvolvidos ou pouco desenvolvidos – passaram a depender crescentemente do capital privado globalizado. Esta dependência é algo menor apenas nas grandes potências, cujas autoridades monetárias dispõem de algum controle sobre a taxa básica de juros e sobre o montante de crédito bancário e extra-bancário, podendo com tais instrumentos condicionar a movimentação dos capitais privados. Além disso, os governos das grandes potências têm por obrigação impedir que o grande capital, em sua corrida desvairada à centralização, ponha em perigo a própria existência do capitalismo pela completa monopolização dos mercados.
Abro um parêntese para assinalar que embora o assunto seja importante, a limitação de tempo e espaço me obriga a deixá-lo de lado. A tendência imanente do capital é se fundir crescentemente, até que em cada mercado haja apenas um vendedor. Mas isso significaria o fim da possibilidade de regular a economia pela competição intercapitalista e, portanto, do capitalismo como o conhecemos. Em seu lugar, teria de surgir uma economia regulada por mecanismo político. Os capitalista estão plenamente ao par deste perigo e apoiam os Estados que os impedem de se autodestruir.
Retomando o tema em análise, esta nova situação de dependência é de certa maneira uma volta à dependência consentida, mas com alterações não desprezíveis. É como se os 30 anos de desglobalização, somados aos 30 anos dourados, não passassem de um parêntese, que a restauração da normalidade, na forma de hegemonia do grande capital privado sobre a economia capitalista, poderia fechar. A subordinação dos estados nacionais aos interesses e aos preconceitos ideológicos dos detentores do grande capital globalizado restabeleceria uma normalidade que fora perturbada por peripécias políticas, passageiras.
A tese é sedutora, sobretudo para os aficcionados da história, que não desconhecem as evidentes afinidades entre o fin de siècle anterior e o atual. Mas, é preciso também atentar para as diferenças. Para começar, atualmente a democracia é o regime da maioria dos países, significando que o desemprego e a exclusão social, normalmente exacerbados pela liberdade do capital, não são politicamente aceitáveis. No fim do século passado, desemprego e exclusão social pareciam fatalidades inevitáveis, presentes em todas as épocas históricas. Neste fim de século, está claro que o desemprego e a exclusão social puderam ser efetivamente reduzidos durante os anos dourados e que, portanto, nada têm de inevitáveis, o que explica a crescente revolta contra o neoliberalismo, tanto na Europa quanto na América Latina.
Outra diferença significativa entre os dois fins de século é que agora estamos efetivamente formando um mundo de nações. Há cem anos, a maior parte do mundo era constituída por colônias de um pequeno número de potências imperialistas. Hoje não há mais colônias quase e o mundo se compõe de mais de 180 nações soberanas. É óbvio que são extremamente heterogêneas, distinguindo-se pelo tamanho dos territórios e das populações, pelo grau de desenvolvimento e por inúmeras características culturais.
Por isso, cabe menos generalizar, inclusive com relação a situações de dependência. Certamente, hoje existem em diferentes países as três situações de dependência que distinguimos. Grande parte das nações africanas e não poucas da Ásia e da América Latina vivem em dependência consentida, no sentido de que suas perspectivas de progresso ainda estão limitadas à ampliação das vendas ao exterior de produtos coloniais. Outras nações, espalhadas pelos três continentes do Terceiro Mundo, já superaram essa etapa e dispõem de economias ainda não-completamente industrializadas. São os países que vivem situações de dependência tolerada ou de dependência desejada.
A diferença entre a dependência consentida – absolutamente geral no fim do século XIX e hoje vigente apenas nos países mais atrasados – e a dependência desejada é que a primeira prescinde da industrialização e da urbanização e a última visa completar estes processos para incorporar as nações dependentes ao Primeiro Mundo. Não há, portanto, qualquer volta possível a uma normalidade liberal como a que vigorou no século XIX. A nova dependência do grande capital globalizado é desejada porque vista como um ingrediente indispensável num mundo em que as nações perdem significado econômico e em que impera a liberdade de iniciativa das empresas e dos indivíduos.
A dependência desejada ocorre hoje em todas as nações, das semi-industrializadas às superindustrializadas. Esta é a mudança essencial que é preciso analisar. Durante a época da globalização dirigida (1945-80), os países menos desenvolvidos dependiam economicamente tanto dos capitais multinacionais provenientes dos países adiantados quanto dos governos desses países, em particular do governo dos EUA. Grande parte do fluxo de financiamentos recebidos pelos países dependentes se originava de fontes públicas nacionais ou intergovernamentais (como o Banco Mundial, o Banco Interamericano e seus congêneres da Ásia e da África).
Mas, os governos dos países adiantados não se subordinavam ao grande capital, fosse este nacional ou estrangeiro. No auge do keynesianismo, mesmo bastardo, como o adjetivou Joan Robinson, os Estados nacionais dispunham de amplos setores produtivos estatais, que abrangiam os principais serviços de infra-estrutura e partes da indústria pesada. Somava-se a ele um sistema abrangente de seguridade social, o que levava a participação do setor público no PIB a se aproximar de 50%, sobretudo nos países europeus. Esse contexto permitia aos governos regular a conjuntura apenas pela modulação do gasto público.
A mudança a partir dos anos 70 foi gradativa mas, passados 25 anos, o panorama é outro. Ela tem por motor a globalização do capital, que ocasionou uma transformação da classe dominante. O setor dominante da classe capitalista, na maior parte dos países desenvolvidos (exceto os EUA e o Reino Unido) estava ligado umbelicalmente ao mercado interno. No Japão, na França, mas também na Alemanha Ocidental e na Itália, Estado e capital nacional tinham construído uma coordenação eficaz e mutuamente satisfatória, na qual a burocracia estatal estabelecia metas e estratégias de médio e longo prazos e convidava a iniciativa privada a realizá-las, com meios providos por bancos governamentais e subsídios pagos pelo orçamento nacional.
Com a globalização tanto de intermediários financeiros quanto de empresas industriais, o setor dominante – formado antes e depois pelas maiores empresas – da classe capitalista passou a ser composto por detentores do controle e da gerência de empresas que tinham interesses nos quatro cantos do mundo e cujas vantagens comparativas derivavam desse fato. Em cada país, com o mercado interno aberto aos capitais e aos produtos do resto do mundo, os ganhadores do jogo competitivo passaram a ser os capitais multinacionais, que mais podiam importar matérias primas, componentes e produtos acabados de filiais em países atrasados e de trabalho barato.
A mudança de hegemonia econômica foi acompanhada por uma ruptura ideológica de todas as maneiras funcional. Em poucos anos, a nova fração capitalista dominante substituiu o keynesianismo pelo monetarismo, o dirigismo econômico pelo neoliberalismo. Com rapidez surpreendente o consenso mudou. O pleno emprego passou a ser uma meta inatingível e os esforços para mantê-la próxima dele passaram a ser tidos como causas da estagflação. A nova ortodoxia sustenta agora que os mercados, deixados em liberdade, ou seja, livres da tutela estatal, praticamente sempre alcançam equilíbrios ótimos.
O desemprego, qualquer que seja o seu nível, é sempre voluntário: as pessoas que alegam falta de trabalho, na realidade não aceitam os níveis de remuneração que o mercado oferece e elas têm direito de estar desempregadas até que encontrem a demanda que lhes pague o que acham que valem. Esta teoria foi formulada por Milton Friedman e é encontrada hoje nos livros-texto utilizados no ensino nas faculdades de economia. Ela obviamente é desconhecida do grande público, que sabe que o desemprego é uma maldição e que considerá-lo voluntário só pode ser humor negro. Mas a teoria, acessível apenas a iniciados, fundamenta as políticas econômicas aplicadas em cada vez mais países desde os anos 80.
Os governos que compartilham desta nova/velha ideologia desejam a dependência dos capitais globalizados. O neoliberalismo defende a liberdade dos mercados contra qualquer interferência política neles porque acredita que os detentores dos capitais – principalmente os administradores de grandes blocos de riqueza financeira, como os fundos de pensão e as reservas técnicas das seguradoras – têm racionalidade e dispõem de todas as informações necessárias para investir os capitais de modo a maximizar o bem-estar social global.
Esses governos desejam se submeter aos critérios dos detentores de capitais para merecer as suas preferências. Estes critérios são: manter plena liberdade de movimento para os capitais, assegurar o equilíbrio orçamentário e a estabilidade dos preços, deixar o câmbio flutuar mas dentro de limites pré-fixados, liberar o mercado de trabalho de restrições à livre contratação e entregar à iniciativa privada a prestação de serviços públicos, da telefonia ao seguro saúde e ao seguro social. Os governos neoliberais almejam cumprir tais objetivos por convicção e acreditam que merecem a preferência do capital globalizado.
A dependência desejada é qualitativamente distinta das situações anteriores de dependência à medida que estas últimas atingiam unicamente as nações menos desenvolvidas. O atraso econômico relativo era a base da qual decorria a situação de dependência. A atual situação de dependência reflete a impotência dos Estados nacionais – em maior ou menor medida, todos – face ao capital privado altamente concentrado e globalizado. Esta impotência se deve mais à globalização do capital do que à liberalização dos movimentos de valores.
É que as empresas autenticamente transnacionais não são mais firmas de algum país adiantado que abriu filiais no Terceiro Mundo. Elas já são – e tendem cada vez mais a ser – firmas sediadas em quase todos os países, sobretudo nos adiantados. E como são frutos de sucessivas fusões e aquisições, muitas delas têm suas matrizes em mais de um país. Antigamente, a Shell e a Lever eram dois exemplos conhecidos de empresas binacionais, pois ambas são anglo-holandesas. Mas, eram exceções. Atualmente estão se tornando a regra entre os conglomerados maiores.
A trilateralização das transnacionais está sendo impulsionada pela concorrência tecnológica entre elas. Há dados que indicam que os custos de novos desenvolvimentos tecnológicos estão subindo muito, o que provavelmente significa que a exploração das novas técnicas está entrando numa fase de rendimentos decrescentes. Este seria o fator que levaria as grandes firmas transnacionais a se fundir ou a se associar, de modo a poder participar da produção científica de todos os grandes centros em atividade nas economias mais adiantadas.
A dependência desejada, se estas hipóteses estiverem corretas, decorre crescentemente da não coincidência territorial entre o âmbito de atividades das grandes transnacionais e o âmbito de exercício da soberania dos governos. As grandes transnacionais tendem a assumir a forma de empresa-rede, composta por grande número de unidades semi-autônomas – empresas franqueadas, subcontratadas, em parceria etc. – enquanto os Estados nacionais estão apenas começando a se agrupar em blocos regionais. A União Européia é destes blocos o mais antigo, no qual o processo de unificação econômica, social e política está mais avançado. Mesmo na União Européia, no entanto, a integração intergovernamental ainda é incipiente se comparada com a integração em rede de empresas em todos os quadrantes.
Para terminar esta breve discussão das tendências atuais da dependência é preciso lembrar que, não obstante tudo isso, as pessoas continuam morando, trabalhando e fazendo política em países específicos. Para a maioria da população, a dependência desejada se traduz em crises de reestruturação industrial, que eliminam milhões de postos de trabalho, e ataques reiterados a direitos decorrentes do Estado de bem-estar social, cuja única justificativa é a necessidade de equilibrar o orçamento público e reduzir a carga fiscal sobre as empresas para reter o capital que se encontra no país e atraír mais capital, que venha eventualmente a gerar emprego.
Não é provável que a maioria dos cidadãos dos diferentes países – muito, pouco ou medianamente desenvolvidos – aceite passivamente tal justificativa. O que configura um dilema: ou os países ampliam o território em que seus Estados exercem a soberania, acelerando sua unificação política ou ao menos fortalecendo entidades intergovernamentais que possam confrontar e regular as grandes transnacionais, ou a nova dependência corroerá a democracia política, ao retirar da agenda política das nações as questões que mais de perto interessam aos cidadãos.


  1. Paul Singer, economista, é professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.

domingo, 30 de dezembro de 2012


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Imprensa
Drogas na infância e adolescência é tema de curso de Jorge Jaber na UERJ
Ass. de Imprensa Patricia Terra, 24/11/2010
O crack hoje causa o mais sério fenômeno patológico entre crianças e adolescentes no estado do Rio: 10% dos usuários da droga morrem no primeiro ano de consumo. Não se conhece nenhuma doença que cause tanta morte em tão pouco tempo, afirma o especialista em dependência química Jorge Jaber, que dá curso sobre dependência química entre crianças e adolescentes nestas quarta e quinta, na XV Semana da Educação: Memórias, Pesquisas e Práticas Pedagógicas: 60 anos da Edu-UERJ. O curso é voltado para educadores que fazem graduação e pós-graduação e servem como multiplicadores junto aos professores das redes pública e privada, na importante tarefa de sinalizar diagnósticos de saúde mental entre os estudantes. Ainda segundo o psiquiatra, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria - Comunidade, o aumento no consumo de álcool na população juvenil tem impacto direto no desenvolvimento e capacidade de aprendizado. E abuso sexual, déficit de atenção, ansiedade, bulimia e anorexia na infância e na adolescência estão diretamente ligadas ao uso de álcool e drogas pelos adultos.

SEGUE UMA PRÉVIA DO CURSO DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA, MINISTRADO PELO DR JORGE JABER:


SINTOMAS E DOENÇAS MENTAIS QUE AFETAM ADOLESCENTES

DEFICIT DE ATENÇÃO / HIPERATIVIDADE

A criança e o adolescente com esta doença tem:

Sérias dificuldades em manter a atenção e a concentração;
Hiperatividade;
Comportamento impulsivo .

Mesmo na presença de boa vontade o jovem pode:

Ser incapaz de ouvir bem;
Organizar o trabalho;
Seguir orientação ou ordens;
Dificuldade em cooperar em jogos ou esportes;
Agem antes de pensar;
Frequentemente não se aquietam , movimentando-se incessamente, são incapazes de se manterem sentados.


DIFICULDADE DE APRENDIZADO

Ocorre quando a habilidade de escrita, cálculo ou leitura da criança está substancialmente abaixo do nível de inteligência ou escolaridade esperada para a idade.

DISTÚRBIO DE CONDUTA

É caracterizada por um padrão de comportamento repetitivo e persistente no qual o adolescente viola regras e normas apropriadas a sua idade frequentemente desrespeitando o direito de outros.

FREQUENTEMENTE O DISTURBIO DE CONDUTA É ACOMPANHADO DE:

Dificuldade escolar e familiar;
Sexualidade precoce;
Baixa auto estima apesar de exibir uma imagem “casca grossa”;
Cursa frequentemente com outras patologias psiquiátricas (Deficit da Atenção, depressão, abuso de álcool e drogas).


ABUSO FÍSICO (MAL TRATO, ESPANCAMENTO)

Abuso físico ocorre quando uma pessoa responsável pelo bem estar de uma criança ou adolescente lhe cause, ao contrário, dano ou injúria.

As crianças e adolescentes que sofrem tais abusos podem vir a desenvolver ansiedade, depressão, baixa estima, inabilidade em construir relacionamento de confiança, abuso de álcool e drogas, dificuldade de aprendizado e desordem de conduta.

DESORDEM DE ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICA (DEPT)

DEPT pode ocorrer quando o adolescente passa por uma experiência inesperadamente chocante, que ultrapasse o nível de ocorrência humana usual.

O evento traumático pode ser vivido diretamente pelo jovem. (Ex: Abuso físico ou sexual, agressão, estupro, rapto, ameaça de morte), por observação (testemunho de trauma causado a outra pessoa) ou por saber de trauma afetando parente próximo ou amigo.


SINTOMAS

Lembranças decorrentes, intrusivas e estressantes do evento;
Sonhos recorrentes e estressantes da ocorrência;
Sentimentos e atos como se o evento estivesse acontecendo de novo;
Estresse psicológico intenso quando há exposição às lembranças do evento traumático consequentemente levando o jovem a evitar tais estímulos;
Sentimentos de estranheza em relação aos outros, queda no interesse nas atidades significativas e afastamento;
Sintomas persistentes de surgimento crescente (irritabilidade, distúrbios de sono, baixa na concentração, hipervigilância e ansiedade).


ABUSO SEXUAL

Ocorre quando o adolescente é usado para proporcionar gratificação de necessidade ou desejos sexuais de adultos. Se severidade do abuso pode frequentemente atingir o estupro.

Geralmente determina o aparecimento de depressão, ansiedade, DEPT, sentimentos de incredibilidade e desperanças, dificuldade no aprendizado e comportamento destrutivo.

BULIMIA NERVOSA

Ocorre quando o adolescente apresenta repetidos episódios de ingesta alimentar em grandes quantidades durante pequeno período de tempo. É acompanhada de sentimento de incapacidade de parar de comer e perda de controle sobre a quantidade da comida ingerida. Comumente após comer eles produzem vômitos auto induzidos, tomam laxantes, diuréticos, remédios, enemas ou iniciam atividades físicas rápida e excessiva, sempe tentando presenir consequente ganho de peso.

ANOREXIA NERVOSA

Ocorre quando um adolescente evita que a manutenção de seu peso corporal se situe acima do peso mínimo normal à sua idade e tamanho. A perda de peso é usualmente auto imposta, determinando frequentemente atenção médica cuidadosa.

SINTOMAS FÍSICOS ASSOCIADOS À ANOREXIA NERVOSA:

Ausência do ciclo menstrual regular;
Pele seca;
Baixa frequencia cardíaca;
Irritabilidade;
Humor flutuante;
Depressão.

A falta de tratamento pode levar a cronificação da desordem podendo determinar evolução letal.

DESORDEM OBSESSIVO-COMPULSIVA

Os adolescentes que DOC tem obsessão e/ou compulsões.

A obsessão se refere a pensamentos recorrentes e persistentes, impulsivos, assim como a imagens que são intrusivas causando estrese e ansiedade. Compulsões se referem a comportamentos rituais repetitivos (ex: lavar as mãos, organizando, checando) ou atos mentais (contando, repetindo palavras silenciosamente).

ANSIEDADE

Ansiedade é a antecipação amedrontada de problemas ou perigos distantes, acompanhada por um sentimento de desconforto intenso (disforia) e/ou sintomas físicos. Não é, absolutamente, incomum em crianças e adolescentes e pode estar presente nas formas:

1) DESORDEM ANSIOSA DE SEPARAÇÃO

ANSIEDADE EXCESSIVA RELATIVA A SEPARAÇÃO DO LAR OU DE PESSOAS A QUEM O JOVEM É LIGADO


2) DESORDEM GENERALIZADA DE ANSIEDADE

ANSIEDADE E PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA ENVOLVENDO EVENTOS E ATIVIDADES COMO AS ESCOLARES. PODE OCORRER AINDA, CANSAÇO, FADIGA, DIFICULDADE DE CONCENTRAÇÃO, IRRITABILIDADE, TENSÃO MUSCULAR E ALTERAÇÃO DO SONO.

3) DESORDEM DE PÂNICO

É a presença de inesperados e recorrentes ataques de pânico agravados pela própria preocupação em tê-los. O ataque de pânico é definido pela repentina ocorrência de apreensão interna, medo ou terror. Pode estar acompanhado de palpitação, aumento da frequência respiratória, encurtamento da respiração, desconforto ou dor toráxica, sensação de choque, medo de “ficar louco” ou de perder o controle.

4) FOBIAS

Persistente e irracional medo de atividades e objetos específicos ou situações (andar de avião, alturas, animais, injeções e sangue).


DOENÇA BIPOLAR (MANÍACO DEPRESSIVO)

É uma desordem do humor caracterizada por mudanças deste humor: variando da elação extrema a depressão severa. Os períodos de elação são definidos como mania.

Alguns adolescentes em fase maníaca podem desenvolver sintomas psicóticos (delírios e alucinações). A doença bipolar geralmente ocorre antes da idade de 30 anos, frequentemente inciando-se na adolescência.

DEPRESSÃO

Ainda que o termo depressão descreva uma emoção humana normal, pode também estar se referindoa uma desordem psiquiátrica.

Além dos sentimentos de tristeza e/ou irritabilidade observa-se ainda:

Mudanças do apetite podendo ocorrer aumento ou perda de peso;

Mudança no padrão do sono: dificuldade em “pegar no sono”, acordar no meio da noite, acordar muito cedo ou dormir demais;

Perda de interesse em atividades usuais;

Perda de energia, fadiga, “ficar por baixo;

Sentimento de culpa e auto acusação por fatos que não são de responsabilidade de ninguém;

Inabilidade de concentração e indecisão;

Sentimentos de incapacidade de ser ajudado e desperança;

Pensamentos recorrentes de morte e suicídio, desejando morrer ou tentando suicídio.

ATENÇÃO: Tem havido um aumento de incidência de depressão em filhos de portadores de doença depressiva.


SUICÍDIO

É a terceira causa de morte (atrás de acidentes e homicídios) entre os adolescentes.
Os sinais de alarme e fatores de riscos associados incluem:

Depressão
Tentativa anterior de suicídio
Perdas recentes
Pensamentos sobre morte
Uso de ÁLCOOL E DROGAS.

PSICOSE

Distúrbios psicóticos incluem diversas alterações mentais graves caracterizados por prejuízos seríssimos que impedem uma pessoa de manter a capacidade de pensar claramente, responder emocionalmente, comunicar-se efetivamente, entender a realidade e comportar-se apropriadamente.

Sintomas psicóticos podem ser observados em adolescentes acometidos por várias doenças mentais graves, tais como depressão, distúrbio bipolar, esquizofrenia e em alguns ocorrência de ABUSO DE ÁLCOOL E DROGAS

DELÍRIO

Baseia-se numa opinião ou crença, pouco usual, falsa ou excêntrica firmemente sustentada pelo indivíduo que não aceita como real pelos outros membros do mesmo grupo cultural.

Existem delírios de Paranóia (outros estão tramando contra ele), Grandiosidade (idéias exageradas sobre sua identidade e importância.

Delírios corporais: uma pessoa saudável acredita ter uma doença grave.

Alucinação: Na ausência de estímulo específico há a ocorrência de percepção sensitiva (visão, audição, olfato e paladar)


ESQUIZOFRENIA

É um distúrbio psicótico caracterizado por ocorrência no indivíduo de severos problemas com o pensamento, sentimentos, comportamento e uso da linguagem. Freqüentemente ocorrem delírios e alucinações. Esses delírios na esquizofrenia são no mais comum das vezes persecutórios e paranóides.

As alucinações são mais freqüentemente auditivas e podem incluir escuta de vozes, que geralmente se manifestam na 3ª pessoa, ou mais de uma voz comentando os pensamentos e ações do paciente.

SINDROME DE TOURETTE

É caracterizada pela presença de múltiplos tiques motores e no mínimo um tique vocal.
O tique é um movimento súbito e rápido de alguns músculos do corpo do jovem, que ocorrem repetidas vezes sem nenhum objetivo ou propósito.
A localização, freqüência e complexidade dos tiques mudam o tempo, que podem resultar em movimentos simples como piscar de olhos até movimentos mais complexos como esbarrar e agachar. Os tiques locais incluem grunhidos, latidos, fungados, bufadas, tosses e obscenidades.
Jovens com Sindrome de Tourette geralmente apresentam comportamento obsessivo, compulsivo, temperativo e impulsivo.


TRANSTORNO DE COMPORTAMENTO EM ADOLESCENTES DECORRENTES DE USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS

1) ADULTO MINIATURA

A cultura em geral, os pais e a educação, e por que não dizer, muitos de nossos profissionais, possuem a tendência de uma visão que irá associar ou mesmo definir os adolescentes como a miniatura de um adulto, ou “adulto miniatura”.

É justamente a visão, que gostaríamos de questionar, Não seria muito reducionista reconhecer o adolescente apenas como uma “miniatura” ?

2) PENSAMENTO OPERACIONAL FORMAL

Talvez uma das mais importantes diferenças, seja o fato de que na adolescência começa a se dar o desenvolvimento do Pensamento Operacional Formal, ou seja, um estágio do desenvolvimento do pensamento, responsável por suas operações mais formais ou complexas, que não ocorriam ainda nos primeiros anos de vida, e que será de fundamental importância na vida adulta e para suas conexões e adaptações à vida prática e à realidade.


3) INCOMPREENSÃO DE CONCEITOS E ENGAJAMENTO AO TRATAMENTO

Não é nenhuma novidade que a adesão e consequente recuperação de adolescentes costuma ser muitas vezes menor, em comparação com pacientes adultos.

Citamos como exemplo, os grupos de mútua ajuda, Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, que apresentam um número pequeno de adesão de adolescentes comparado ao enorme número de pessoas adultas que vem cada vez mais se afiliando a esses grupos.


4) MODELO E FORMAÇÃO DE IDENTIDADE

Compreendo todo ser humano, jovem ou não, como alguém que se encontra em constante processo de formação ou aperfeiçoamento de características de personalidade e identidade.

A cultura atual é muito baseada em ações e resultados, gratificação imediata, “tudo ou nada” (rico ou pobre, bonito ou feio, bom ou ruim) como abordagem de vida, sucesso acadêmico e etc. Todos os aspectos e ambientes culturais, não são apenas a família, serão utilizados como modelo e como imitação para o desenvolvimento da personalidade, da formação de identidade e da independência, durante o período da adolescência.


5) TERAPIA DE REDE

Consideramos indispensável para maior eficácia do tratamento, o envolvimento de toda a rede de relações na qual o indivíduo se encontra, aqui e agora, escola, família, juizado de menores, etc.

Evidentemente, isto será mais eficaz, ou apenas será eficaz, se toda a rede de relações que está influenciando na formação desse curso patológico específico puder participar ou sofrer alterações.


6) A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO

São muitas as críticas em relação a utilização de conceitos e termos diagnósticos como “rótulo” e como redução de algo tão amplo, o ser humano, suas emoções, motivações e comportamentos. Os críticos esquecem, por outro lado, que essas classificações diagnósticas possibilitam um sistema de comunicação mais claro e comum entre os profissionais, além de indicar o curso do transtorno, o melhor prognóstico e a avaliação do melhor tratamento.


7) ATUALIZAÇÃO DOS CONCEITOS DIAGNÓSTICOS

É bem verdade que muitos conceitos permanecem ainda um pouco vagos, principalmente a respeito especificamente sobre os adolescentes, que durante muito tempo, não receberam programas específicos de tratamento e atualização específica de conceitos diagnósticos, sendo tratados apenas como “adultos miniatura” ou como exclusiva conseqüência de uma estruturação familiar inadequada, não levando em consideração suas características particulares e sua rede de relações, como já falamos anteriormente.


8) DSM E CID

Existem duas classificações de diagnósticos as quais precisamos saber. DSM – Manual de Estatísca e Diagnóstico, da Associação Psquiátrica Americana e CID – Código Internacional de Doenças, da Organização Mundial de Saúde.

Atualmente DSM IV e CID 10.

Devemos reconhecer uma grande evolução nessa área , na medida em que até os anos 80, praticamente a classificação de utilização de substâncias psicoativas, só levava em consideração as dimensões de quantidade e de freqüência de uso, e os respectivos cruzamentos, entre variações das mesmas.

9) ALGUMAS QUESTÕES SOBRE DIAGNÓSTICO

Podemos afirmar com certa tranqüilidade que, em muitos casos, o beber e usar drogas na adolescência funciona como a manifestação da auto-afirmação, da identidade, da “independência e adultez”, do testar a si e a seus próprios limites, assim como aos limites externos, sem necessariamente se configurar ou evoluir para a Dependência. Além do mais, o Abuso, não garante absolutamente a predisposição para a Dependência.



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Crianças e Adolescentes que convivem com a Dependência Química em suas Famílias

cuida
Este seminário procura trazer informações sobre crianças e adolescentes que acabam sendo a vítima indireta do consumo de álcool e outras drogas, mas que sofre diretamente as conseqüências deste envolvimento, uma vez que não tiveram o livre arbítrio para dizer “sim” ou “não” frente às consequências geradas pela dependência química na família.
Crescer em uma família que possui um dependente químico é sempre um desafio, principalmente quando falamos do contato direto de crianças e adolescentes com o dependente químico. Este desafio pode atuar desenvolvendo competências para lidar com situações estressantes e soluções de problemas, bem como desestruturar o desenvolvimento saudável de uma criança / adolescente.Filhos de dependentes químicos podem desenvolver uma série de dificuldades psicológicas, na saúde, aprendizagem, relacionamentos e dentre estas, a dependência ou o consumo abusivo de substâncias. Também é importante salientar que encontramos filhos de dependentes químicos muito bem integrados e saudáveis.
Neste sentido, filhos de dependentes químicos, não devem ser tratados como doentes, pois nem sempre o são. Trata-se de um olhar para preventivo.
Nossa intenção é dividir com os interessados a experiência de 7 anos de existência do serviço CUIDA (Centro Utilitário de Intervenção e Apoio aos Filhos de Dependentes de Álcool e outras Drogas) no Jardim Ângela, um bairro violento da periferia de São Paulo.

Tratamento_dos_assistidos.pdf
Pefil_TAIS.pdf
Aspecto_Social_na_prevenao_de_atod.pdf
Filhos de DQ necessitam de um olhar especial.pdf
Impacto da DQ na familia.pdf
Santos Martires.pdf
Violencia Domestica_Daniela.pdf

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Os tipos de dependência



Ao falar sobre dependência de cigarro, muita gente pensa apenas na dependência física causada por ele, na necessidade que o corpo passa a ter em relação às substâncias do fumo. Porém, este não é o único tipo de problema que ele causa no ser humano. Além da física, outros tipos de dependência passam a fazer parte da vida do fumante. São eles:
Dependência Física: O organismo do fumante se acostuma a receber certa dose de nicotina e, quando ele deixa de fumar, o corpo sente falta e precisa se adaptar à ausência dessa substância. Este período de adaptação é denominado Síndrome de Abstinência, quando podem ocorrer: ansiedade, irritabilidade, inquietação, dificuldade de concentração, tristeza, dor de cabeça, tonteira, alterações no sono e no ritmo intestinal.
Dependência psicológica ou emocional: O cigarro serve, muitas vezes, como uma bengala, um amortecedor para as emoções, sejam elas desagradáveis ou não. Então, o fumante acaba utilizando o cigarro para lidar com estresse, solidão, para relaxar e até mesmo para comemorar.
Dependência comportamental ou de hábito: O fumante estabelece uma rotina no uso do cigarro, associando o ato de fumar a algumas atividades e hábitos, como fumar e tomar um cafezinho, fumar após as refeições, fumar antes de dormir, fumar para ir ao banheiro etc. Nesses casos, muitas vezes o fumante acende o cigarro automaticamente, até mesmo sem saber.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

olítica

Dia da (in)Dependência

637 acessos - 0 comentários
Publicado em 07/09/2010 pelo(a) Wiki Repórter betoquintas, São Paulo - SP
Os brasileiros comemoram no dia 7 de Setembro a festa cívica do Dia da Independência. Segundo nosso mito histórico, foi nessa data que o então Imperador D Pedro I, às margens do rio Ipiranga, em São Paulo, proclamou a independência do Brasil.

Eu me lembro da época em que eu estava no colégio, quando meus professores insinuavam que tal cena nunca existiu. O que houve foi um movimento da oligarquia local, farta de ser controlada pela aristocracia portuguesa, farta de ter que dividir a sangria que ainda se faz no povo brasileiro.

Eu me lembro da sensação de que apenas trocamos os colonizadores, pois a "independência" do Brasil foi possível graças à "ajuda" da Inglaterra, que nos cedeu armas em troca de "facilidades comerciais".

A independência do Brasil foi um ato militar, um golpe de Estado, assim como foi a desastrosa implantação da República e o inevitável desenlace que resultou na Ditadura [a de 45 e a de 60].

O Brasil só descobriu as vias democráticas quando a própria burguesia urbana e rural, que sustentou e apoiou essa política militaresca, começou a se sentir sufocada. A elite do sistema precisava de mais liberdades, especialmente nos campos financeiro e econômico, para aumentar seu ganho, seu lucro. Apostaram na falta de consciência e organização política notória dos brasileiros, apostaram no conservadorismo e no comodismo típicos dos cidadãos. Em troca de alguns direitos constitucionais que a maioria ignora, o sistema seria mantido e o lucro garantido.
Assim nos foi vendida a idéia das eleições representativas, em todos os níveis, com uma pluralidade de candidatos e partidos, que não resolvem nossos problemas crônicos e em nada acrescentam. A propaganda eleitoral não informa nem orienta, é simplesmente propaganda do pior nível.

A candidata do PV, Marina Silva, havia feito um pedido, que soou como uma denúncia tardia, para que o pleito não se transformasse em vale-tudo. Tarde demais.

Desde que eu me conheço por gente, desde que engolimos a farsa do sistema eleitoral como a única via de manifestação política pública, a cada eleição, além dos candidatos exóticos, o que eu tenho visto é o mesmo jogo sujo, a mesma politicagem, a mesma dança de dossiês, divulgações espúrias, acusações caluniosas, ameaças, extorsões.

Como brasileiro, como cidadão, como pagão, eu fico preocupado em ver como os principais candidatos paqueram com a Igreja e com os Evangélicos. Mais preocupante ainda é ver alguns candidatos aos cargos legislativos defendendo os mesmos valores do fundamentalismo cristão. A situação está tão ruim que tem aparecido muitos oportunistas e gente sem noção, dentre as candidaturas exóticas e o cidadão não protesta contra esse desrespeito.

Nós ainda buscamos pelos salvadores da pátria nos candidatos, nos omitindo e negligenciando a nossa consciência e participação política, não apenas nos anos eleitorais, mas em todos os anos, o ano inteiro, a cada dia. Enquanto não tivermos tal consciência/participação política e aceitarmos as nossas responsabilidades, o Dia da Independência e o Desfile de Sete de Setembro continuarão sendo simplesmente mais uma data e mais uma comemoração cívica de um mito histórico de um gigante que continua dormindo em berço esplêndido.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Ministério Público combate venda de substâncias nocivas para crianças e adolescentes em Terezinha

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), através da promotora de Justiça de Bom Conselho, Maria Aparecida Alcântara, fez uma série de recomendações para combater o consumo de produtos que causam dependência por crianças e adolescentes, no município de Terezinha. Na recomendação, a promotora de Justiça pede, principalmente aos pais, que observem e tomem as devidas providências para evitar que seus filhos tenham acesso a substâncias que possam causar dependência física e psíquica. Os comerciantes também deverão se abster de fornecer, entregar ou vender tais produtos aos menores de 18 anos.
A recomendação foi expedida depois que a Promotoria de Justiça recebeu informações dando conta de que comerciantes estão vendendo em seus estabelecimentos produtos a base de substâncias que causam dependência química, como cola de sapateiro, thinner e esmalte de unhas, sem nenhum controle aos que adquirem os produtos. Todos os estabelecimentos comerciais da cidade de Terezinha, que negociam estes produtos, não devem fornecê-los a crianças e adolescentes. A venda desses produtos a qualquer pessoa adulta, terá que ser realizada mediante nota fiscal e cadastro com todos os documentos exigidos no formulário que será fornecido pelo MPPE. Após o preenchimento, o documento deverá ser reencaminhado ao Ministério Público.
Os pais também deverão tomar as devidas providências para evitar que os filhos, crianças e adolescentes, tenham acesso a qualquer tipo de substâncias que possam causar dependência física ou psíquica.
De acordo com o atrigo 243 da Constituição Federal é proibida a venda e o fornecimento, ou entregar de qualquer forma, ainda que gratuitamente, para crianças e adolescentes, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica. Apena prevista é de dois a quatro anos e multa.
É dever do Ministério Público zelar para o efetivo cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em todos os seus termos. O ECA prevê que, considerando ser dever da família prestar toda assistência na condução e educação dos filhos, havendo omissão pode ser corrigida e punida pelas autoridades competentes.
As Polícias Civil e Militar devem fiscalizar o cumprimento da recomendação, bem como a promover investigação, com objetivo de prender e punir os fornecedores de substâncias entorpecentes em Terezinha. De acordo com as informações enviadas ao MPPE, os fornecedores são de fora do município.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Formações

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Dependência afetiva

Quando ela ocorre passamos a não viver mais sem a ajuda do outro
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 A dependência afetiva é um estado que faz parte da natureza humana por nascermos dependentes tanto no campo físico (alimentação, cuidados, etc.) quanto no campo afetivo. As experiências que vamos adquirindo em nosso desenvolvimento farão com que tenhamos ou não nossa independência afetiva. É muito importante esclarecer que essa independência não significa individualismo, muito menos com solidão. É, sim, a capacidade de não nos vincularmos excessivamente a alguém, é a possibilidade de tomarmos nossas decisões, escolhas e dar passos na capacidade e na autonomia de cuidar de nós mesmos e assumir o que fizemos de certo ou errado.
Para que você possa perceber se é uma pessoa excessivamente dependente de alguém é importante observar alguns pontos:
  • Você precisa de alguém para sentir-se seguro e tranquilo?
  • Percebe que, mesmo em situações simples de escolha e decisão, precisa desta pessoa ao seu lado?
  • Sente-se dependente para fazer escolhas, precisando da aprovação desta pessoa?
  • Sente que sua autonomia é prejudicada, ou seja, é difícil fazer algo sem aquela pessoa?
É claro que muitos de nós gostamos que uma outra pessoa dê uma opinião a nosso respeito (se a roupa está bonita em nós, se devemos comprar algo, se devemos mudar de emprego e tantas outras decisões), o que não significa que sejamos dependentes. A dependência se caracteriza sempre que há algum excesso, aquela dificuldade em sair do lugar sem que o outro nos apoie, como uma muleta, um suporte, que precisamos e fazemos questão de carregar em toda nossa vida.
Quando estamos nessa situação, geralmente temos dificuldade para perceber, negamos essa dificuldade e nos irritamos quando somos apontados como dependentes. E temos também dificuldades com a autoestima e a maturidade emocional, e costumamos fazer outras coisas em excesso, como trabalhar, comer, beber, falar, jogar, entre outros. Podemos ainda viver sentimentos muito extremos (amar demais, odiar demais) bem como sensação de vazio e falta de significado em nossa vida, sem compreender exatamente o que está ocorrendo.
Nem sempre as escolhas afetivas dependentes são conscientes e claras para quem passa por isso. Dependências podem se dar com coisas, objetivos, drogas, jogos, chegando a pessoas e a palavras amigas. A dependência afetiva faz com que procuremos exteriormente o apoio e a proteção para suportarmos os problemas vividos nos relacionamentos e nas situações sociais. Somos humanos e somos efetivamente influenciados o tempo todo. Vale lembrar que, como seres sociais que somos, efetivamente seremos influenciados e influenciaremos o tempo todo e isso faz parte de nossa natureza.
Das relações sadias, por meio das quais os pais estimulam e acreditam no potencial de uma criança, – fazendo com que ela supere desafios e aprenda a ganhar e a perder –, é que nasce uma autoestima positiva e a sensação de segurança pessoal, bem como a capacidade de cuidar de si. No entanto, quando isso não ocorre, muitas vezes, vamos buscar esta dependência a fim de que outra pessoa nos estimule, mas quando entra o excesso, passamos a não viver mais sem a ajuda dela, mesmo em pequenas decisões. É interessante, pois, nessa relação "disfuncional" sempre haverá o outro, ou seja, aquele que é a pessoa mais segura na relação, mas que, de alguma forma, também alimenta essa dependência.
Sendo assim, é muito importante que a pessoa dependente estabeleça limites em seus relacionamentos, reconhecendo sua realidade, que, muitas vezes, passa pela negação dos fatos e a ilusão de viver em situações fantasiosas. Da mesma forma, ela deve assumir a responsabilidade em administrar suas necessidades, reconhecer suas atitudes, emoções e seus comportamentos, sejam eles positivos ou não, percebendo as vivências da raiva, do medo, da vergonha, da culpa e, com isso, reconhecendo estas questões em sua vida e comprometendo-se com a mudança.
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